.mapa anual de contos infantis desde 10/10/2008

ip-location
Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

Inês e a brincadeira

Quando Inês chegava a casa, depois da escola, almoçava e fazia os trabalhos de casa. Quando acabava os deveres, entregava-se à sua adorada brincadeira. Sempre com os brinquedos espalhados pela casa e na varanda, não quer que ninguém mexa neles. Sempre que vive determinada estória imaginada, muitas vezes, não consegue acabar as aventuras a tempo das refeições e até à noite se despede com saudades deixando tudo pronto para retomar a acção inacabada. As suas brincadeiras são vividas com intensidade emocional. Muitas vezes, na sua voz transparece tanta emoção que a mãe e os irmãos perguntam do piso inferior se está tudo bem, ela, surpreendida, responde que sim. Seja na varanda ou dentro de casa, as brincadeiras são sempre vividas da mesma forma. A sua voz repercute-se pelo espaço em redor enchendo os ouvidos dos curiosos. Sozinha enche um teatro! É um regalo vê-la brincar. Todos os seus bonecos, mesmo os danificados têm um papel importante nas infindáveis aventuras.

Mas as brincadeiras modificam quando ela e os vizinhos se juntam. O entusiasmo é o mesmo, mas toma um rumo diferente. Divertem-se tanto juntos que agora é difícil separá-los!

Quando chega da escola, Inês já não se concentra nos trabalhos de casa. Anda desatenta sempre à procura dos amigos e vice-versa. Quando não é ela que o chama é ele que a chama. O entusiasmo é igual. Sempre que chegam a casa, a primeira preocupação é procurarem-se. Como o amiguito anda no infantário, tem muito tempo para brincar, mas Inês tem de aprender as contas com transporte. Assim, estabeleceram um plano estrito a ser seguido por ela com a ajuda da mãe. A ideia é continuar a realizar o trabalho, antes de Inês se entusiasmar com as aventuras partilhadas.

Uma vez a mãe aborreceu-se com ela. Tinha começado a fazer uma ficha de matemática mas levantava-se com frequência andando de um lado para o outro. Voltava a sentar-se e continuava a resolver as contas. De repente, lembrava-se, e erguia-se para ir à varanda. Ficava por lá uns momentos para regressar depois frustrada. Baixava-se e continuava o trabalho de casa. Quando ouviu uma voz, a sua cabeça espetou-se no ar atenta. Levantou-se num ápice e foi até à varanda. Ao descobrir o amiguito em cima do muro à sua espera, largou apressadamente o lápis em cima da mesa e desapareceu. A mãe chamou-a, respondia mas não obedecia. A mãe, que estava doente, começou a impacientar-se e chegou mesmo a lamentar não ter a filha mais velha presente que a iria buscar pelo braço e a obrigaria a sentar-se à mesa até acabar o trabalho. Não obedecia à avó nem à mãe. Como fazer Inês obedecer? Se ao menos não tivesse tantas dificuldades nas contas… continua a esquecer-se dos que vão de trás. A mãe já a ensinou que a partir da soma dez vai sempre um ou mais de trás que deve somar à coluna seguinte.

Só a noite os separou. A mãe estava muito zangada. Combinou com ela que a primeira tarefa a realizar quando chega a casa são os trabalhos e, de pois, a brincadeira. Enquanto não acabar tudo não pode ir brincar. Há tempo para tudo. Diz ao amigo. “Eu vou fazer os trabalhos de casa e, quando terminar, venho chamar-te!” e quando tiver de ir lanchar basta fazer o mesmo diz ao menino “Espera um bocadinho que vou lanchar” ou “ Vai lanchar também, o primeiro que chegar, chama.

Inês olhou séria para a mãe. Avaliou o rosto severo e percebeu que não estava a brincar. Ficou pensativa.

- Mas se eu disser para esperar ele vai-se embora!

A mãe sorriu.

- Não vai, não! Gosta tanto de brincar como tu ou mais! Estará lá sempre! Ele mora aqui mesmo ao lado. Se não puder brincar numa altura pode noutra. É preciso ter paciência!

Como a mãe a compreendia! A mãe tinha muito trabalho. A diferença de idade entre ela e os irmãos era tão grande, e tinham também as suas responsabilidades, que passava muito tempo entregue a si própria usando a sua imaginação como companhia! É bom mas pode cansar quando a solidão é muita. Mesmo quando é uma solidão acompanhada! Não a poderia censurar. E não estava! Tentava só que ela pudesse fazer tudo de forma a não se prejudicar na escola. A escola também é importante! E ela é inteligente!

publicado por fatimanascimento às 15:51
link do post | comentar | favorito
|

.mapa mensal de contos infantis, desde 10/10/2008

ip-location

.mapa diário de contos infantis

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Dezembro 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
31

.posts recentes

. A dança da vida

. Inês e a bicicleta

. Inês e o banho

. Uma história de vida

. Inês e o Pequeno-almoço

. Mãe, gostas de mim?

. Inês e a tabuada

. O estigma da beleza

. Inês e a brincadeira

. A Nova Ordem

.arquivos

. Dezembro 2010

. Setembro 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Dezembro 2009

. Setembro 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Agosto 2008

.tags

. todas as tags

.favoritos

. A manifestação de Braga

.links

.contador

Web Counters
stats counter

.URGENTE!

www.greenpeace.pt

.Greenpeace

.leitores on line

online
blogs SAPO

.subscrever feeds